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16/01/2020

EDUCAR PARA A PAZ

Prof. Tales de Sá Cavalcante

O Povo. 16/01/2020 (quinta-feira).
tales@fariasbrito.com.br

No acender das luzes de 2020, ainda sob o eco dos votos de paz em brindes de Ano Novo, o ataque contra o general iraniano Qasem Soleimani suspendeu o clima de comemoração.

A apreensão de que o ato resultasse num conflito de proporções globais devolveu à pauta a expressão “Terceira Guerra Mundial”, esquecida desde a declaração de Albert Einstein: “Não sei como será a Terceira Guerra Mundial, mas sei como será a Quarta: com pedras e paus.”

Hoje em dia, com a tecnologia avançada, mísseis nucleares podem dizimar uma nação inteira. Para Alexandre Garcia, “se houvesse uma guerra mundial, ela duraria algumas horas, e a Terra também.” Talvez, por isso, alguns analistas acreditam que os conflitos bélicos de hoje são diferentes, o que os leva a considerar que EUA e Irã já estão em guerra.

A esta altura dos acontecimentos, indagamo-nos por que a ONU não consegue cumprir plenamente o seu papel na manutenção da paz, propósito mor da Carta das Nações Unidas. Antes, os líderes eram exaltados por serem grandes generais a vencer guerras. Agora, a exaltação é a concessão do Prêmio Nobel da Paz.

O conflito entre EUA e Irã nos faz refletir sobre a qualidade da formação de nossos jovens. Pertinente é que lhes ofereçamos uma Educação para a paz, conforme os preceitos da Unesco.

Se no Oriente Médio um drone foi usado pelos EUA para o bombardeio e a morte, dois dias antes, nos céus da China, os drones protagonizaram um lindo espetáculo, com o emprego da tecnologia em prol da celebração à vida. E, alguns dias depois, os iranianos, acometidos pela neurose das guerras, atingiram uma aeronave que pensaram ser um artefato bélico americano. Na realidade, era um avião comercial a conduzir 176 inocentes, que vieram a óbito, entre eles 82 cidadãos do Irã.

Para que amanhã as crianças de hoje usem bem os drones, é nossa responsabilidade dar-lhes uma Educação que, indo muito além da simples instrução, civilize. Em vez do discurso sobre qual a corrente ideológica mais adequada, discutamos, portanto, como educar para a paz. Assim, não teremos adultos a priorizar a guerra e/ou a vingança.

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